A Justiça Eleitoral determinou a cassação dos mandatos do prefeito e da vice-prefeita de Contendas do Sincorá, município localizado no sudoeste da Bahia. A decisão, publicada na quarta-feira (27) no Diário da Justiça Eletrônico do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), aponta que os gestores teriam participado de um esquema de compra de votos durante as eleições de 2024.
De acordo com o processo, além de repasses em dinheiro que variavam entre R$ 500 e R$ 2 mil, eleitores teriam recebido cestas básicas, botijões de gás e até o pagamento de contas de água e energia. Para o juiz responsável pelo caso, as provas apontam para abuso de poder político e econômico.
Quem é o prefeito cassado
O prefeito Ueliton Valdir Palmeira Souza, conhecido como Didi, tem 60 anos e foi eleito pelo partido Avante. Com ensino médio completo, ele atuou anteriormente como servidor público municipal antes de assumir o cargo de gestor em 2024.
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Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), declarou possuir R$ 503 mil em bens, incluindo três fazendas e 70 cabeças de gado.
Apesar da cassação, Ueliton afirma que sua campanha foi conduzida de forma regular e que recorrerá da decisão.
Quem é a vice-prefeita investigada
A vice-prefeita Érica Brito de Oliveira, conhecida como Professora Érica, tem 50 anos, é formada em Letras, pós-graduada em Políticas Públicas em Educação e atuava como professora do ensino fundamental antes de entrar para a política.
Cristã, casada e mãe de quatro filhos, Érica mantém presença ativa nas redes sociais, onde compartilha registros de família, viagens e rotina profissional.
Como funcionava o suposto esquema
A investigação começou logo após o resultado das eleições municipais de 2024, vencidas pela chapa de Ueliton e Érica por uma margem de apenas 58 votos.
Segundo a Justiça Eleitoral, os pagamentos a eleitores eram feitos principalmente por meio de transferências via PIX. A filha do prefeito teria tido participação direta no esquema: ela recebia eleitores em sua residência e realizava os depósitos combinados.
Pelos indícios, além da cassação dos mandatos, o juiz Raimundo Saraiva Barreto Sobrinho, da 58ª Zona Eleitoral, determinou a inelegibilidade de Ueliton pelos próximos oito anos. Ele e a filha também foram condenados a pagar multa de R$ 10 mil cada um.
Defesa e próximos passos
Em nota, os gestores municipais afirmaram que receberam a decisão “com surpresa” e sustentaram que as acusações não foram comprovadas durante a fase de instrução processual.
“O prefeito mantém plena convicção na lisura de seus atos durante a campanha eleitoral e reitera sua confiança de que o Tribunal Regional Eleitoral, ao apreciar o recurso, reconhecerá a legalidade de sua conduta”, diz o comunicado.
A defesa também negou a possibilidade de novas eleições ou da diplomação da candidata derrotada, ressaltando o compromisso dos gestores com a legalidade e o respeito às instituições democráticas.
O processo ainda cabe recurso e só após decisão definitiva será possível definir se haverá novas eleições no município.
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