Caso Banco Master: por que Nubank, XP e BTG entraram na mira da Justiça

O caso Banco Master ganhou novos desdobramentos e passou a envolver grandes instituições do mercado financeiro. Nubank, XP Investimentos e BTG Pactual Digital foram citados em uma ação civil pública que investiga a forma como CDBs emitidos pelo Banco Master foram ofertados a investidores, especialmente no que diz respeito ao uso do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) como argumento de segurança.

A ação foi movida pela Abradecont (Associação Brasileira de Defesa do Consumidor e do Trabalhador) e distribuída à 6ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, onde o processo será analisado pelo Ministério Público do Estado.

O que está sendo investigado na ação

O foco da ação não é a gestão do Banco Master em si, mas sim a comunicação de risco feita na comercialização dos CDBs. Segundo a Abradecont, há indícios de que o FGC teria sido destacado de forma excessiva, o que pode ter levado investidores a interpretar os produtos como de baixo risco, mesmo sendo títulos emitidos por uma instituição que enfrentava fragilidade financeira.

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O FGC garante aplicações de até R$ 250 mil por CPF e por instituição, mas não elimina o risco do emissor — ponto central da discussão judicial.

Quanto cada instituição vendeu em CDBs do Banco Master

Dados divulgados pelo Pipeline indicam que a distribuição dos CDBs ocorreu da seguinte forma:

  • XP Investimentos: cerca de R$ 26 bilhões

  • BTG Pactual Digital: aproximadamente R$ 6,7 bilhões

  • Nubank: cerca de R$ 2,9 bilhões (parte herdada da Easynvest)

Juntas, as três instituições responderam por R$ 35,6 bilhões dos R$ 40,6 bilhões que acabaram acionando o FGC, representando quase todo o volume emitido pelo Banco Master.

Pedido de caução e impacto nos investidores

A Abradecont pede que a Justiça determine a criação de uma caução proporcional ao volume distribuído, com a seguinte divisão:

  • 65% para a XP

  • 25% para o BTG

  • 10% para o Nubank

O objetivo é garantir recursos para eventual ressarcimento de investidores. Estima-se que mais de 800 mil pessoas físicas tenham sido impactadas. Apesar disso, mais de 99% dos investidores estão cobertos pelo FGC, pois aplicaram valores abaixo do teto de garantia.

O Nubank tem ligação com o Banco Master?

O Nubank não participou da gestão nem da liquidação do Banco Master, decretada pelo Banco Central em novembro de 2025. A relação da fintech com o caso se limita à oferta dos CDBs do Master em sua plataforma, encerrada em 2024, segundo o próprio banco.

A discussão judicial gira em torno de uma possível propaganda considerada abusiva, caso o FGC tenha sido apresentado como principal fator de segurança do investimento.

Nubank vai fechar? Entenda os boatos

Não há qualquer indicativo de que o Nubank vá fechar, falir ou sair do Brasil. Os rumores surgiram após a liquidação extrajudicial do Will Bank, instituição ligada ao Banco Master. O Nubank negou oficialmente qualquer risco de encerramento das atividades, classificando as informações como fake news.

O que dizem Nubank, XP e BTG

Procurado, o Nubank afirmou que não possui relação societária com o Banco Master e que todas as suas operações seguem rigorosamente as normas regulatórias. O banco também destacou que não utiliza assessores de investimento, garantindo autonomia total aos clientes.

O BTG Pactual Digital informou que não comentaria o caso.
A XP Investimentos ainda não havia respondido até a última atualização.

O que muda para o investidor agora

Para quem investe ou pretende investir em CDBs e renda fixa, o caso reforça um ponto essencial:
o FGC é uma proteção importante, mas não substitui a análise de risco do banco emissor.

A ação judicial ainda está em fase inicial e não há condenações até o momento. O desfecho dependerá da análise do Ministério Público e da Justiça.

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