Uma lanchonete de Belém, no Pará, virou assunto nas redes sociais após publicar um vídeo mostrando o descarte de 45 quilos de massa de churros. A gravação, feita pelo empresário Charles Wanzeler, proprietário da Taca Cozinha, chamou atenção pela forma direta como o empreendedor expôs o prejuízo enfrentado pelo negócio.
No vídeo, Wanzeler explica que a massa apresentava falhas durante o preparo e se tornou um risco para os funcionários da cozinha. Segundo ele, os churros estavam “estourando” durante a fritura, provocando respingos intensos de óleo quente e aumentando o risco de queimaduras.
A publicação rapidamente ultrapassou 1 milhão de visualizações e abriu discussões sobre segurança alimentar, desperdício e estratégias de marketing nas redes sociais.
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Empresário diz que objetivo era mostrar a realidade do negócio
Em entrevista, Charles Wanzeler afirmou que a intenção inicial do vídeo era gerar alcance para a marca e mostrar situações reais enfrentadas nos bastidores de um restaurante.
Segundo ele, a ideia era “furar a bolha” e fazer com que mais pessoas conhecessem a lanchonete.
O empreendedor admitiu que esperava repercussão, mas não imaginava a dimensão que o conteúdo alcançaria nas redes sociais.
A estratégia funcionou. O perfil da empresa ganhou milhares de novos acessos, comentários e compartilhamentos após a publicação.
Problema na fritura colocava equipe em risco
De acordo com o empresário, o problema estava relacionado ao comportamento da massa durante a fritura.
Ele explicou que o trigo utilizado na produção provocava reações inesperadas no óleo quente, fazendo com que os churros explodissem ao serem fritos.
Segundo Wanzeler, a situação se tornou perigosa para os funcionários responsáveis pela cozinha, já que os respingos poderiam causar queimaduras e acidentes de trabalho.
Por esse motivo, a empresa decidiu descartar toda a produção.
Testes alternativos não resolveram o problema
Após as críticas nas redes sociais, muitos internautas questionaram por que a massa não foi reaproveitada em outras formas de preparo, como forno convencional ou air fryer.
O empresário afirmou que testes foram realizados antes do descarte, mas os resultados não foram satisfatórios.
Segundo ele, em alguns casos a massa continuava estourando e, em outros, o produto não atingia o padrão de qualidade desejado para venda.
A empresa concluiu que o uso da receita poderia comprometer tanto a segurança da equipe quanto a experiência do consumidor.
Lanchonete nasceu com proposta diferente no mercado de salgados
A Taca Cozinha foi inaugurada em 2024 na Ilha de Mosqueiro, distrito turístico de Belém.
O negócio surgiu da proposta de criar salgados artesanais com receitas diferenciadas e massas específicas para cada sabor.
Charles Wanzeler e o sócio Caleb Siqueira trouxeram parte da inspiração após experiências profissionais em restaurantes da Europa.
A proposta rapidamente ganhou espaço na região e transformou a lanchonete em referência local.
Segundo o empresário, o negócio faturou aproximadamente R$ 800 mil no primeiro ano de funcionamento.
Redes sociais viraram ferramenta de crescimento da marca
Desde a inauguração, a empresa passou a investir fortemente em vídeos e conteúdos digitais para atrair clientes.
O Instagram da marca já publicava bastidores da cozinha, rotina da equipe e lançamentos de produtos. Porém, nenhum conteúdo havia alcançado a repercussão obtida com o vídeo do descarte das massas.
Especialistas em marketing digital afirmam que conteúdos espontâneos e que mostram os bastidores reais dos negócios costumam gerar maior identificação do público nas redes sociais.
A estratégia de transparência, mesmo envolvendo prejuízos, pode fortalecer a conexão com os consumidores quando a comunicação é percebida como autêntica.
Debate sobre desperdício dividiu opiniões na internet
Apesar da repercussão positiva em termos de alcance, o vídeo também gerou críticas e questionamentos sobre desperdício de alimentos.
Parte dos internautas perguntou se a massa poderia ter sido doada em vez de descartada.
O empresário respondeu que a produção não apresentava segurança adequada para consumo e que a prioridade foi evitar riscos para funcionários e clientes.
O episódio abriu espaço para discussões sobre os limites entre reaproveitamento e segurança alimentar dentro do setor gastronômico.
Restaurantes podem doar alimentos que seriam descartados?
Especialistas explicam que nem todo alimento pode ser reaproveitado ou doado.
Segundo Adriana Lara, líder de Educação da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), a doação só é permitida quando o produto mantém condições seguras de consumo e não apresenta riscos sanitários.
Ela afirma que, em determinadas situações, o descarte deixa de ser uma escolha e passa a ser uma obrigação sanitária.
Entre os principais motivos que exigem descarte estão:
- Alterações sensoriais no alimento;
- Problemas de temperatura;
- Risco de contaminação;
- Produtos vencidos;
- Falhas no preparo;
- Sobras de buffet e self-service.
Regras sanitárias seguem normas da Anvisa
O descarte correto de alimentos em restaurantes deve seguir as diretrizes da RDC 216/2004 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
A regulamentação estabelece padrões de segurança higiênico-sanitária para serviços de alimentação em todo o Brasil.
As regras têm como objetivo prevenir riscos à saúde dos consumidores e reduzir a possibilidade de contaminações alimentares.
Especialistas afirmam que manter protocolos rígidos de controle é essencial para evitar acidentes e proteger tanto clientes quanto funcionários.
Como restaurantes podem reduzir perdas e desperdícios
Profissionais da área de alimentação afirmam que reduzir desperdícios exige planejamento e gestão eficiente dentro da cozinha.
Entre as principais estratégias recomendadas estão:
Controle de estoque
Monitorar validade e quantidade dos ingredientes ajuda a evitar perdas desnecessárias.
Padronização das receitas
Receitas bem definidas reduzem falhas no preparo e desperdício de matéria-prima.
Planejamento da demanda
Produzir conforme a previsão de vendas evita excessos.
Monitoramento de perdas
Acompanhar erros de produção permite corrigir problemas mais rapidamente.
Especialistas destacam que prejuízos fazem parte da rotina do setor alimentício, mas podem ser reduzidos com processos mais organizados e controle de qualidade constante.
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