Carretas carregadas de combustível de empresas alvo da megaoperação contra o PCC são abandonadas na Bahia

Um dia após a deflagração da megaoperação Carbono Oculto, que mirou um esquema bilionário do Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustíveis, carretas carregadas pertencentes às empresas G8LOG Agro Ltda e Moska Log foram encontradas abandonadas nesta sexta-feira (29) em um posto de combustíveis em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador.

A Polícia Militar foi acionada para remover os veículos, mas, segundo constatou a equipe de reportagem da TV Bahia, os caminhões estavam estacionados com motoristas presentes, e não havia policiamento no local.

Empresas de fachada a serviço do crime organizado

Criada em fevereiro de 2024, a G8LOG Agro Ltda se apresentava como transportadora de cana-de-açúcar e etanol para usinas do Grupo Itajobi, mas, segundo os investigadores, era apenas uma empresa de fachada usada para ocultar patrimônio e disfarçar a real propriedade dos ativos.

Participe do nosso grupo de notícias no WhatsApp: 👉 Quero Participar 🔔

Seus veículos, por exemplo, estavam registrados em nome da Blue Star Locação de Equipamentos, também apontada como empresa fictícia.

A Moska Log operava de forma integrada, utilizando o mesmo número de telefone e até a mesma logomarca da G8LOG. Juntas, as duas companhias movimentavam cargas de etanol e derivados de cana-de-açúcar como parte de um complexo esquema de lavagem de dinheiro e blindagem patrimonial.

Essas operações eram comandadas por Mohamad Hussein Mourad, conhecido como “Primo”, e por Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”, ambos foragidos.

O comando do esquema bilionário

As investigações apontam que Mohamad e Roberto atuavam como líderes de um império paralelo de combustíveis. Eles controlavam etapas inteiras da cadeia produtiva, desde a produção em usinas até a distribuição nos postos, passando por transportadoras, armazenamento e conveniências.

Mohamad era considerado o epicentro das operações. Ele usava sua imagem de empresário respeitável para abrir portas no mercado formal. No LinkedIn, se apresentava como CEO da G8LOG e consultor do grupo Copape, especializado em derivados de petróleo.

“Sou um empresário e investidor que acredita na potência do trabalho, da disciplina e do comprometimento como caminho para o alcance de resultados sólidos”, dizia em seu perfil.

Na prática, porém, o Ministério Público aponta que ele estruturou um esquema de fraudes fiscais e contábeis que movimentava bilhões de reais, usando empresas de fachada, fundos de investimento e até fintechs para lavar dinheiro.

A Operação Carbono Oculto

A força-tarefa nacional mobilizou cerca de 1.400 agentes para cumprir mandados de prisão, busca e apreensão em oito estados. Segundo a Receita Federal, o grupo sonegou mais de R$ 7,6 bilhões em impostos.

A investigação revelou ainda que o PCC utilizava importação irregular de metanol para adulterar combustíveis, colocando em risco não apenas a economia, mas também a saúde da população e o meio ambiente.

Além disso, pelo menos 40 fundos de investimento com patrimônio estimado em R$ 30 bilhões foram identificados como instrumentos de ocultação de recursos ilícitos.

Impactos e próximos passos

A operação mostrou que o setor de combustíveis tem sido uma das frentes mais lucrativas para o PCC, permitindo que a facção diversifique suas fontes de receita e se infiltre em áreas estratégicas da economia.

Autoridades afirmam que as investigações continuam e que o bloqueio de bens será essencial para tentar recuperar parte dos valores desviados.

Mohamad e Roberto seguem foragidos, e até a última atualização da reportagem, suas defesas não haviam se manifestado.

Compartilhe

📱 Participe do nosso grupo no WhatsApp e receba as notícias em tempo real:

Grupo do WhatsApp

📸 Não perca nenhuma atualização! Siga-nos no Instagram:

Coruja News no Instagram