Em julho de 2010, um nascimento inusitado chamou a atenção de médicos, cientistas e da imprensa internacional. O casal nigeriano Angela e Ben Ihegboro, que vivia em Londres, no Reino Unido, teve sua rotina transformada após o nascimento de sua filha Nmachi — uma bebê branca, de cabelos loiros e olhos azuis. A surpresa foi imediata, já que seus dois filhos mais velhos são negros como os pais.
A notícia rapidamente circulou em diversos jornais, incluindo o Daily Mail, e levantou uma série de questionamentos sobre como isso seria possível do ponto de vista genético. Ben, mesmo atônito com a aparência da filha, foi direto: “Claro que ela é minha. Minha esposa é fiel a mim. E mesmo se não fosse, o bebê ainda assim não teria essa aparência”.
Com a curiosidade natural diante do caso, especialistas buscaram explicações plausíveis. A comunidade científica apresentou três hipóteses principais para entender o fenômeno:
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- Mutação genética espontânea: Nmachi pode ter sido fruto de uma mutação genética inédita em sua linhagem familiar. Isso significa que seu código genético sofreu uma alteração rara e espontânea, responsável por sua aparência. Se for esse o caso, a menina poderá transmitir esse gene para seus descendentes.
- Gene recessivo herdado de ancestrais brancos: Outra possibilidade é que um dos pais — ou ambos — tenham algum ancestral com pele clara, e que esse gene, até então adormecido, tenha se manifestado na terceira geração. Embora rara, essa ocorrência é possível quando há miscigenação antiga na árvore genealógica.
- Albinismo em forma incomum: Nmachi pode ter uma forma não convencional de albinismo, uma condição genética caracterizada pela ausência parcial ou total de pigmentação na pele, nos olhos e nos cabelos. No entanto, os médicos ponderaram que a bebê não apresentava as características típicas dos albinos, o que tornou essa hipótese menos provável.
O professor Bryan Sykes, especialista em genética da Universidade de Oxford, classificou o caso como “extraordinário”. Ele explicou que, para uma mutação dessa magnitude acontecer, ambos os pais teriam que carregar em seu DNA registros ancestrais com pigmentação branca — algo incomum na Nigéria, onde o casal nasceu.
Para Angela, nenhuma explicação científica substitui o que ela sente: a filha é um presente. “Ela é linda, um verdadeiro milagre”, disse. A família Ihegboro optou por seguir celebrando o nascimento com alegria e gratidão, mesmo diante das incertezas genéticas.
O caso de Nmachi continua sendo lembrado como um exemplo fascinante de como a genética humana ainda guarda mistérios. Ele desafia estereótipos e reforça que, por trás de cada nascimento, pode existir uma história muito além do que os olhos veem.
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